A internet: Início de uma era de mudanças
Elysio Mira Soares de Oliveira
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Analisando a história da humanidade, podemos destacar alguns períodos que marcaram épocas. No período extrativista, o homem sobrevivia utilizando os recursos que a natureza lhe oferecia. Neste período o “bem” de maior valor era o alimento. Quando estes recursos ficavam escassos, o homem se deslocava para outros lugares menos explorados. O homem era nômade.

Num segundo período, o homem sentindo a escassez de alimentos, começou a cultivar e criar seu próprio sustento e começou a se fixar em locais previamente escolhidos. O excedente produzido era armazenado ou utilizado como “bem” de troca. Este período foi caracterizado como Agrícola e se dá início ao período de acumulação de riquezas. Neste novo período, a produção de excedente fez surgir o mercantilismo.

O terceiro período que marcou a história da humanidade foi o período Industrial, no qual surgiu o produção em escala e a dita “sociedade de consumo”. Neste período, a base da economia deixa de ser o produto agrícola e passa a ser o produto industrializado. Os bens de maior valia passam a ser aqueles que sofreram o processo de industrialização. Surgem as grandes indústrias.

Nos anos que antecederam a segunda guerra mundial, dá-se o início um novo período ou era, a era da Informação. Aqueles que detinham maior quantidade de informação passavam a deter tecnologias que influenciavam todos os meios na escala de produção. Daí surge a famosa frase “Informação é Poder”.

A primeira sociedade a avaliar e investir neste novo “bem”, foi a sociedade Russa. Devido a esta visão, conseguiram o pioneirismo na corrida espacial, lançando o primeiro satélite artificial (Sputnik). Surgem os primeiros computadores.

O computador, além de sua comprovada eficiência e velocidade na simulação de fenômenos, resolução de cálculos numéricos, estatísticos e contábeis, vai se firmando como um excelente veículo para o armazenamento, processamento e transmissão da informação.

Esta conquista levou a sociedade Americana a reavaliar toda sua filosofia acerca dos “bens” de maior valia e passou a investir pesado na geração de informações através de pesquisas. A “informação” passa a ser o “bem” ou produto de maior valia nesta nova sociedade.

O átomo (elemento real) deixa ser o principal meio para o registro e transmissão do conhecimento. Entra na história um novo componente, o byte (elemento virtual), que aos poucos vem firmando sua supremacia. Com sua descoberta, muitos paradigmas vinculados à terceira dimensão foram quebrados. O byte, por ser um elemento virtual, está totalmente desvinculado das leis físicas que regem o mundo material. O byte é um estado (sim ou não, ligado ou desligado, aceso ou apagado). Com ele surge a tecnologia digital e se abre o portal da quarta dimensão. Todas as teorias presas às leis físicas do mundo material (movimento, espaço e tempo) perdem sua importância nesta nova dimensão.

Hoje, estamos vivenciando uma nova era, a era das conexões. Surge uma rede de circuitos que envolvem nosso planeta, simulando a rede de neurônios que compõe nosso cérebro. Qualquer ser humano, de qualquer ponto do universo pode se integrar a esta rede através de um processo simbiótico e usufruir de todo conhecimento gerado e armazenado pela humanidade.

O homem passa a experimentar no mundo real os poderes da onipresença e da onipotência. Nesta nova dimensão ou era, qualquer um pode estar e agir “virtualmente” em infinitos lugares ao mesmo tempo. Realmente, para quem ainda não teve nenhuma experiência nesta nova dimensão, fica muito difícil entendê-la. Mas posso afirmar que este portal se encontra aberto e acessível e não é coisa do diabo como muitos dizem. É divina e foi aberto pelo homem seguindo um princípio anárquico que desestimulam e pulverizam as iniciativas de poder do homem sobre o próprio homem. É plenamente democrática, e tem sido um dos maiores meios de integração social jamais sentido na história da humanidade. Neste mundo virtual, todo o conhecimento armazenado passa estar disponível em todos os lugares e a todo tempo. Nesta nova dimensão, o homem volta a perceber que o “bem” mais precioso que ele pode adquirir é o “conhecimento”.

No mundo real, o sistema econômico gerou necessidades irreais baseadas nos modismos e numa mentalidade que associa a felicidade à necessidade de consumo e da posse de bens materiais, tornando o homem escravo do próprio sistema que criou, desprendendo energia para obter renda suficiente para aquisição de bens de necessidade duvidosa.

Esta nova dimensão leva ao homem reavaliar estes valores, e redescobrir que necessita de muito pouco de material para a sua sobrevivência e felicidade. Esta nova mentalidade fará com que o homem deixe de se submeter a um sistema escravista onde a sobrevivência e felicidade sempre foi colocada como dependente da posse e do consumo.

Costumo dizer que é um acontecimento divino porque nesta dimensão o homem passa a experimentar virtualmente objetos materiais que até então eram inacessíveis, gerando, mesmo que virtualmente, a mesma sensação de prazer. Esta prática, simulam no consciente a posse virtual destes bens, eliminando muitas vezes a necessidade ou o interesse de possuí-los. Os bens espirituais vão sendo valorizados na mesma proporção da desvalorização dos bens materiais.

Hoje, o domínio dos meios que nos abrem as portas desta nova dimensão, é tão importante quanto o domínio da escrita foi na história da humanidade. Estamos vivenciando o início de uma era onde a sobrevivência daqueles que não dominarem os novos recursos e técnicas de captação, transmissão e processamento do conhecimento, ficará cada dia mais difícil e impraticável em todos os ramos da atividade humana.

Ha bem pouco tempo atrás, que a sociedade acordou e percebeu a importância da escrita para sua sobrevivência. Durante muito tempo persistiu a afirmação equivocada de que o aprendizado das técnicas de escrita serviriam somente para aqueles que fossem trabalhar em escritório ou que quisessem ser escritores. Equivocados continuam aqueles que acreditam que o aprendizado da informática é útil somente àqueles que pretendem trabalhar em escritórios ou bancos, ou àqueles que adquiriram ou pretendem adquirir um computador.

Da mesma forma que a sociedade se equivocou com relação à escrita, muitos ainda não acordaram para a importância no domínio destes novos meios de comunicação. Nesta nova era “globalizada”, cada dia ficará mais difícil a sobrevivência daqueles que não aprenderem a beber nas águas desta nova fonte do conhecimento.